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Relatório revela impactos do comércio mundial no meio ambiente

 

Crédito da foto: CIAT CC

 

Davos, Suíça, 14 de outubro de 2015 - Ao passo em que os países vêm se tornando cada vez mais dependentes do comércio mundial, com 40% dos recursos extraídos no mundo ligados direta ou indiretamente ao comércio, novas políticas são necessárias para tratar de impactos ambientais adversos, de acordo com novo relatório internacional.

“Comércio Internacional em Recursos: Uma análise biofísica”, produzido pelo Painel Internacional de Recursos (IRP, em inglês), organizado pelo PNUMA, revela que o valor das trocas comerciais internacionais cresceu seis vezes mais e o seu volume mais que dobrou entre 1980 e 2010.

O aumento do comércio vem sendo acompanhado por uma mudança nos processos de intensificação do uso de recursos, e associado a fardos ambientais para nações em desenvolvimento.

O Diretor Executivo do PNUMA e Subsecretário-Geral da ONU, Achim Steiner, disse: “Os benefícios do comércio internacional podem incluir melhor acesso aos recursos e uma técnicas de produção ainda mais eficientes de economia de escala. No entanto, o aumento do consumo global resulta sobretudo em um impacto ao meio ambiente, da poluição à extinção de recursos.

“O fato desses impactos estarem sendo transferidos para nações mais pobres é uma outra causa de preocupação. Levando em conta os benefícios do comércio internacional, precisaremos de políticas que protejam o meio ambiente dos efeitos negativos dessas trocas.”

O relatório examina as exigências de recursos do comércio, como materiais, energia, terra e água usadas no país que produz as mercadorias, mas que acaba deixando para trás resíduos e emissões.

Como o comércio desses materiais vem crescendo, a dependência nos mercados mundiais por combustíveis fósseis e metais é muito alta. Aproximadamente metade do volume de combustíveis fósseis e metais extraídos  é realocado pelo comércio.

Estimar as exigências requeridas pelo comércio de commodities é desafiador, com estimativas que variam entre 40 e 400 por cento dos materiais comercializados. Com isso em mente, o relatório chega às seguintes conclusões:

 

  •  A quantidade de recursos globais extraídos e utilizados – 65 bilhões de toneladas em 2010 – vem aumentando em uma taxa mais baixa que o comércio, o que significa o aumento da dependência dos países no comércio.

 

  • Dos recursos extraídos e usados ao redor do mundo, 15% são diretamente comercializados. Esta proporção aumenta para 40% quando incluídos recursos indiretamente associados com o comércio – isto é, usados no processos de produção, mas não fisicamente incluídos nas mercadorias comercializadas.

 

  • Países de alta renda possuem balanças comerciais mais de duas vezes maiores quando medidos em materiais brutos do que no comércio direto, enquanto para países de baixa renda o oposto é verdadeiro. Isto significa uma mudança nos processos de intensificação do uso de recursos de países de alta renda a países em desenvolvimento e economias emergentes, com uma mudança em relação às cargas de impacto ambiental.

 

  • A distribuição da dependência do comércio mudou. Apensar de países de alta renda continuarem sendo os maiores receptores de recursos pelo comércio, economias emergentes como a China têm se tornado grandes importadores. O sistema mundial de comércio depende de uma rede cada vez menor de exportadores, o que o torna cada vez mais vulnerável a perturbações no fornecimento.

 

  • O comércio pode ser eficiente em recursos e desta forma permitir que as commodities sejam obtidas de países ou lugares cuja produção requeira menos recursos e gere menor impacto ambiental do que as outras. Entretanto, numerosos processos – incluindo altos níveis de comércio, declínio da quantidade de minérios e diminuição da produtividade da terra – aumentam as exigências de recursos pelo comércio. Esses fatores acabam por negar qualquer benefício de uma alocação de recursos potencialmente mais eficiente e de atividades produtivas através do comércio mundial.

 

O comércio apropriado, políticas ambientais e acordos são, portanto, necessários para limitarem a exploração excessiva de recursos, os descartes e a destruição ambiental ligados aos níveis expandidos de comércio.

 

Para mais informações, entre em contato:

Michael Logan, Oficial de Imprensa do PNUMA

+254 725 939620, michael.logan@unep.org

Shaoyi Li, Chefe do Secretariado do Painel Internacional de Recursos (IRP)

 shaoyi.li@unep.org

 

Sobre o Painel Internacional de Recursos:

O Painel Internacional de Recursos (IRP, em inglês) foi estabelecido em 2007 para fornecer uma avaliação científica independente e coerente sobre o uso sustentável de recursos naturais e os impactos ambientais do uso de recursos. Ao fornecer informações  atualizadas e a melhor ciência disponível, o IRP contribui para um melhor entendimento de como dissociar o desenvolvimento humano e crescimento econômico da degradação ambiental. As informações contidas nos relatórios do Painel pretendem ser politicamente relevantes, estruturantes e através do seu plano habilitar a avaliação e o monitoramento de efetividade das políticas.

Para baixar um resumo do relatório, acesse o link (em inglês): www.unep.org/resourcepanel.